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Mergulho no Azul
     
     
     
     
     
     
 
O Ronald e eu encontramos Lawrence Wahba no dia 11 aqui na praia do Forte na Bahia. Nosso objetivo era produzir 2 matérias do Domingo Espetacular da Rede Record, a primeira sobre o projeto TAMAR e a segunda sobre o que seria um sonho desconhecido para a maioria dos mergulhadores, o mergulho no azul.

O mergulho no azul é uma viagem ao meio do nada, no infinito do oceano. Com água clara como o Caribe. O planejamento era realizar uma maratona de mergulhos profundos até 60 metros, o limite do mergulho autônomo com ar comprimido.

Gui Marcovani, fundador do Projeto TAMAR, foi nosso anfitrião. Ele é um mergulhador viciado que adora peixes oceânicos, de águas profundas, que normalmente são grandes peixes de passagem. O cara faz isso por prazer e com fundo científico ao mesmo tempo. Gui desenvolveu um esquema de “atratores”, para atrair os peixes. São “poitas” com tiras de PVC que ficam batendo como bandeiras por causa da corrente. No meio do azul, peixes curiosos são atraídos pela visão. Além de facilitar o trabalho de capturar peixes para pesquisa, as bóias acabam sendo uma opção de pesca para os locais (e para eles pararem de pescar tartarugas também). Seu objetivo também é mapear o fundo da região, repleto de “drops” profundos, paredes ou “rebentões” como eles chamam por aqui.

A galera do barco era bem gente fina e quem foi conosco que nunca tinha mergulhado no azul pirou. Em alguns dias fomos acompanhados por biólogas, uma de São Paulo e outra de Portugal. Mas quem pirou mesmo foi o Ronald que fez curso de mergulho a pouco mais de um mês. Ele mergulhou só de máscara e snorkel e ficou assistindo nos descendo da superfície.

Minha função na produção era fazer iluminação submarina o que não foi fácil por causa das condições. Só um dia que eu gravei toda a operação para registrar a dificuldade. Como a corrente estava muito forte, foi armado um esquema de segurança em que mergulharmos por um cabo amarrado ao barco com uma âncora na extremidade. Logo no 1o mergulho, o esquema deu todo errado, a âncora agarrou no fundo e ai sim sentimos a corrente bombando.

Depois dos 40 metros a água esfria, você começa a sentir a pressão, tudo fica azul e o mais engraçado, ficamos totalmente bêbados (ou quase todos). É uma sensação muito boa, sem contra-indicação conhecida como narcose que nada mais é do que as pequenas bolhas de nitrogênio que se alojam entre os neurônios.

Foi muito legal ver peixes oceânicos como dourados, cardumes de olhos-de-boi, albacoras e cavalas que eu nunca havia visto, e ainda mais em água tão clara. Sempre muito rápidos, de passagem... Os mergulhos foram show e conseguimos fazer altas imagens , o Lawrence arrepiou e a matéria vai ficar demais. Assistam em janeiro às 18:00 horas no Domingo Espetacular da Rede Record.

Renato Castanho

Com a palavra agora, Ronald Izoldi:

Projeto TAMAR - Praia do Forte

Nada como trabalhar na Bahia, sol forte, céu azul. Estivemos no projeto TAMAR da Praia do Forte, para gravar o processo de controle para conservação das tartarugas marinhas.

O TAMAR mantém algumas tartarugas em cativeiro para sensibilizar as pessoas que passam pelo projeto do quanto elas são belas. São alguns animais divididos em vários tanques.

Mas o mais importante é o trabalho de campo dos pesquisadores do projeto, saímos para “tartarugar”( procurar e marcar ninhos novos) com alguns deles, Bethânia, uma portuguesa que está no projeto a um ano, e Barão, saímos com os pequenos jipes pertencentes ao projeto, saímos por três noites, na primeira nada encontramos, apesar de termos rodado pela praia algumas horas, já na segunda noite, estava no carro com Bethânia quando ela avistou ao longe uma tartaruga subindo até a praia, apagamos rapidamente os faróis do carro e ficamos a esperar a tartaruga subir até o local onde faria o ninho.

As tartarugas, apesar de estarem na terra a quase 200 milhões de anos, tem um ecossistema muito frágil, por exemplo, basta que ela veja luzes na praia, ou pessoas, para que ela não suba e faça a desova, sua espécie depende do isolamento dessas praias para que o processo seja feito. As luzes dos postes da cidade, ou das casas e pousadas da região atrapalham bastante a visão das tartarugas.
Quando a tartaruga inicia o processo de cavar o seu ninho ela já está em processo de desova, e não interrompe mais, nos aproximamos com a câmera em modo night shot (um processo que nos permite gravar sem luz) e começamos a gravar a desova, lentamente ela começa a cavar com suas nadadeiras traseiras, revezando as duas, tudo é lento, a tartaruga não tem lá grande mobilidade em terra, seu peso atrapalha bastante.

Passados alguns minutos ela termina o processo de cavar, então ela se encaixa toda no buraco, começa então a ter contrações, eis que suas nadadeiras traseiras afundam-se na areia levantando apenas a pontas, e começam a sair os ovos, que na verdade não são ovais, parecem mais bolas de ping-pong brancas, nesta hora os trabalhos dos pesquisadores do Tamar se iniciam, eles verificam se esta tartaruga já não foi marcada pelo projeto, retiram amostras de sangue para analisar o DNA do animal, medem o tamanho e por último e mais difícil, fazem a pesagem do animal, não é nada fácil colocar para cima um animal com mais de 80kg ou mais, logo após o término da desova é que eles a pesam.

Logo após feita a pesagem o animal é solto, e como sua espécie faz a milhares de anos, ela volta ao mar e desaparece nas águas escuras, e todas aqueles ovos, uns 150 por desova, em 45 a 50 dias estarão eclodindo, e incrivelmente ao nascerem seu instinto o fazem ir em direção ao mar. E começa assim a luta pela sua sobrevivência, de cada 1000 filhotes é provável que apenas 1 se torne adulto.

No dia seguinte saímos novamente para encontrar outra tartaruga, e encontramos o que até então foi a maior do ano, uma cabeçuda de mais ou menos 150kg, não conseguimos pesá-la ela era grande demais para caber na maca que tínhamos, resolvemos deixa-la ir para não machuca-la.

Registramos bons momentos em imagens com o night shot e a micro-camera também.

Só depende de nós a preservação deste animal, e temos muito o que fazer...

Ronaldo Izoldi
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